domingo, 28 de fevereiro de 2021

Especial – Stevie Wonder

Nessa semana, o Programa Rock Night apresenta um especial com Stevie Wonder (1950) que é um cantor e compositor norte-americano. Stevie Wonder é o nome artístico de Stevland Hardaway Morris, natural do estado de Michigan. Em consequência de um problema que levou à degeneração na retina, Stevie ficou cego poucas semanas após seu nascimento. Quando tinha quatro anos de idade, mudou-se com a família para Detroit. Logo começou a cantar e tocar no coral da igreja. Com onze anos assinou um contrato com a Tamla Records, um dos selos da Motown Records, com o nome de Little Stevie Wonder.

O que a gravadora Motown nos deixou como legado foi ter sido a primeira a ser gerenciada por um ousado empreendedor afrodescendente, Barry Gordy, que foi muito bem-sucedido. A Tamla-Motown foi uma das bases para a criação e êxito da Soul Music. Foram centenas de sucessos entre os primeiros colocados nas paradas da Billboard durante os anos 60 e 70. Grandes artistas foram revelados e hoje estão no panteão dos grandes da música, gente como Michael Jackson, Martha and the Vandellas, Smokey Robinson, Lionel Richie & The Commodores, entre outros.

O contrato com a Tamla explorou Stevie até a maioridade. Em 1968, ele se mudou para Los Angeles. Em 1971, a Motown não renovou seu contrato e a partir de então, o compositor lançou dois álbuns independentes, que foram usados como moeda de troca enquanto negociava com a Motown. Logo o selo concordou com seus pedidos de total controle criativo e direitos de suas próprias canções; o contrato de 120 páginas deu a Stevie royalties muito mais altos. Wonder retornou à gravadora em março de 1972 com Music Of My Mind. A partir daí, o compositor e multi-instrumentista alcançou também um novo estágio com o uso criativo e autoral do recém-descoberto sintetizador, emplacando hits como Superstition (1972) e Higher Ground (1973), e letras que refletiam sobre questões políticas, racismo, extrema pobreza.

Enfim, nesse período, do qual trata o programa da semana, Wonder lança cinco discos que hoje são cultuados como a melhor fase de sua carreira, seus álbuns mais influentes na área da música trazendo um novo status para a própria gravadora (que evolui para um período de maior maturidade artística, sem abandonar o sucesso). Depois de Music Of My Mind, Wonder lançou mais quatro bolachas matadoras, Innervisions (1973) que ele considera seu melhor, e Talking Book (1972). No meio dessa estrada, ele sofreu um acidente automobilístico em 1973 e ficou seis meses em coma. Fullfillingness First Finale (1974) foi lançado após a tragédia e mostrou que a criatividade do músico não tinha se abalado.

Em meados dos anos 1970, o músico estava desencantado com a situação política e social nos Estados Unidos. E procurava encontrar condições de trabalho que lhe permitissem desenvolver e concretizar as suas ideias sem restrições. Ele pensava seriamente em abandonar a carreira e a fama global e ir para Gana onde iria cuidar de crianças deficientes. Mas atravessava um período muito criativo, desfrutando de grande e mercecido reconhecimento.

Berry Gordy concordava. Nem sempre a relação com Stevie Wonder tinha sido fácil, mas o fundador e líder da Motown Records não tinha qualquer vontade de perder um dos músicos mais importantes da editora. Argumentou que era absurdo se decidisse virar as costas a uma carreira de enorme sucesso, construída a partir de 1962, já desfrutando com apenas 12 anos, do rótulo de menino-prodígio. O multi-instrumentista que, pelo final da infância, já dominava os segredos do piano, da harmônica e da bateria, não foi fácil de convencer.

Dois anos depois, e com um novo contrato de 37 milhões de dólares, a fartura de criatividade colocou as 21 canções (dentre mais de 200 registradas) de Songs in the Key of Life em um álbum duplo de vinil acrescido de um “EP” com mais quatro músicas. Esse disco é a obra-prima de Wonder. É simplesmente uma maravilha inigualável. O cantor nunca mais conseguiu produzir algo tão significativo.

Os temas eram vários, abordavam o amor (Joy Inside My Tears), a espiritualidade (Have a Talk With God) e o engajamento (Black Man). Muitas se tornaram clássicas como Sir Duke e Isn't She Lovely. O grande número de participações especiais de jazzistas também ajuda a entender o alto nível dos arranjos, feitos para um disco com enorme potencial pop: Herbie Hancock, Dorothy Ashby, George Benson, Bobbi Humphrey, Ronnie Foster.

Essa sequência de cinco álbuns e o que eles têm de melhor será apresentado no programa dessa próxima quarta, 3 de março.




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